quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

QUINTA DE POESIA








Baba de Moça

Escolher, no galinheiro, dez ovos grandes e do dia.
Romper, separando as gemas com cuidado.
Colocá-las, dez pingos de sol, no alguidar de barro.
Numa panela, que terá neste doce seu único destino,
dez colheres de açúcar, altas como os Andes .
Uma de inhapa.
Água o suficiente, fogo moderado.
O  ponto? Leve, de doçura transparente.
Nas gemas, a calda, em gotas cuidadosas.
Colher de pau, que, para isso, não há outra .
Voltar ao fogo como se volta à casa.
Mexer com paciência de pássaro fazendo ninho.
Quando raios de prata surgirem no amarelo,
descansar a mão e o doce.
Então, quietude.
É fundamental como beleza no verso do poeta.
Depois de frio, verter em taças delicadas.


Ana Mariano
Olhos de Cadela
L&PM 2006.








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