quinta-feira, 11 de agosto de 2016

QUINTA DE POESIA


"Pra tão longo amor tão curta a vida!"


No próximo domingo é Dia dos Pais! A saudade de meu pai é sempre imensa mas é tão bom buscar as  lembranças dele! Ele tinha sempre à mão uma cadernetinha onde  escrevia  poesias que  gostava e que sabia de cor! Gostava quando ele as recitava e ao reler esta, uma de suas preferidas, e que posto hoje aqui, do poeta maior Camões, senti de novo meu pai junto a mim! A caderneta ficou com meu irmão poeta, nada mais justo, mas eu fiz um xerox de suas páginas. Mostro aqui a página deste lindo soneto, com sua grafia antiga na minúscula letra de meu pai.








Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assi negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida;

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: – Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!

6 comentários:

MT disse...

Que linda homenagem, Maria Araci!

Anônimo disse...

Great posting of our old man. He was a great man!

Debora disse...

Que preciosidade deve ser esta caderneta!

Fico pensando nesses hábitos, nesse conhecimento... uma pena imaginar que, hoje em dia, são coisas quase extintas. Que as pessoas se sacrificam pela aparência, mas pouco investem na cultura, no saber.

Há alguns anos fui a um sebo e comprei várias correspondências antigas. Foi triste de ler: muitas delas são cartas entre amigos, informais, mas mesmo assim a linguagem é muito mais refinada que hoje!

Seu pai também tinha poemas de autoria dele? Foi dele que seu irmão herdou a paixão por escrever?

MARIA ARACI disse...

Maria Teresa: são as lembranças que matam a saudade!!!

MARIA ARACI disse...

Debora: meu pai escrevia muito bem mas não era poeta! Só adorava poesia e tinha um respeito imenso pela lingua portuguesa! Coisa que agora não se vê mais!!!!

Debora disse...

Maria Araci,

Não se vê mesmo! Ontem meu marido assistiu a um filme antigo e teve a curiosidade de colocar na versão dublada. Muito mais elegante, com expressões e tempos verbais que ninguém mais usa. Parece bobagem, mas é reflexo de muita coisa que mudou (para pior!).