quinta-feira, 27 de outubro de 2016

QUINTA DE POESIA





   BALAS

Eu ouvia o som
Inequivocável dum tiro
E, depois, a confirmação:
Um outro, outro mais e
Uma sirene atrás do tiroteio
Eu ouvia o som
Num quarteirão distante
Uma guerra de quadrilhas,
Um feudo entre famílias:
Eco distante da guerrilha urbana
Mas eu ouvia o som daquelas balas
O som dum número cada vez
Maior de falas nessa Torre de Babel
Que parecia assim remoto...

Mas, agora, ouço das balas o som
Do seu zunido
Não as vejo no ar, bem entendido
Mas há outro som que se incorpora
À esta orquestra sem maestro definido:
O som do ricochete, do estilhaço
E uma súbita sensação de abandono...

Paulo Corrêa Meyer

Wayne, 17/11/2013.
                                           

                        

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